terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Não falo de algo palpável, mas de algo que encontro na vírgula entre eu, e tu.

Amor, meu grande amor

"Amor, meu grande amor / Só dure o tempo que mereça / E quando me quiser / Que seja de qualquer maneira... / Enquanto me tiver / Que eu seja / O último e o primeiro / E quando eu te encontrar / Meu grande amor / Me reconheça..." (Música "Amor, meu grande amor" - Frejat)

Postarei a seguir, dois textos que encontrei em meus arquivos. Para dois amores antigos, ficam essas palavras escritas no tempo em que vivemos um no outro.

CHARMOSOS OLHOS QUEIMADOS
(Para ser lido ao som de "Come pick me up - Ryan Adams")

Fiz mil planos
Fingi ter idéia do que fazia, fingia não doer deixar-te;
Fingi ser tão racional, fingi pegar nojo de nós
Enquanto isso, minha ausência te acompanhava

É certo, morena, nossos gênios não se dão bem por muito tempo
Enganei-me tão bem, então vivi equívocos, acreditando fossem reais
Eu de fato fiz o que aconteceria de qualquer maneira.
Acertei, em alguns planos, me reencontrei.
Agora sinto a dor, que pisei por muito tempo
Enquanto isso, tua ausência me acompanha.

Naquela noite, teu sorriso revirou meus pensamentos
Teus olhos confusos, queimaram os meus
Tua mente confusa, confundiu-me
Completamente envolvida, te ofereci cafés

Em teus braços hesitantes, me tranqüilizei.
Calma, te arranquei sorrisos
Os beijos, aos poucos se aconchegaram no meu coração
                                       [que há muito, não se fazia confortável

Teu cheiro ficava em minhas roupas,
E, entorpercia-me, já não sinto mais, será que é porque nos afastamos?

Tonteávamos de amores e carinhos...
Não te encontrei ultimamente, em outros lugares.
Tirei o pé,libertei a dor pisada, e por ela fui esmagada.

Não fico mais tonta...
              [será que é porque nos afastamos?

Agora, com dor, com meu coração procurando teus lábios, com sentimentos, com menos extravagâncias, não tenho dúvidas, de que te amei.

Ah, eu estava confusa, tu também.
Entretanto, algo dentro de mim acordou, cheio de disposição, e, juntas, despertamos para dimensões lindas.

Nossos olhos confusos queimaram-nos.

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AMORAMOR
(Para ser lido ao som de "Sea Of Love - Cat Power)

Meu braço envolve tua cintura
(tu, envolvendo-me tanto)

Nosso tempo é cheio de sol e campos, e é uma delícia viver contigo.
Hoje, rolamos na grama, até que caímos uma sobre a outra... foi um transe.
Nossos rostos tocaram-se sorrindo, abraçamo-nos ainda caídas.
Corremos pela grama que gritava de verde, enquanto o céu gritava de azul.
Somos tão jovens, o tempo está ao nosso favor, então, que caminhemos sem pressa.

Em outros olhos, vi meu reflexo contrariado
Nos teus, vejo-me inteira.
Inteira, como estou, nesse exato momento.
Segura forte na minha mão, menina. Não solta. Eu não soltarei enquanto tu não soltares, prometo. Fica aqui, a noite é fria, tu sabes. Preciso do teu sorriso pra me acalmar, pra me envolver, pra te beijar.

Nossa simplicidade é bela e apaixonante.
Tu, envolvendo-me tanto.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Uvas passas

Comer granola deitada na cama, de luzes apagadas. A decadência sempre me revigorou.

Ontem, tomei champagne direto no gargalo, só de blusa e calcinha. Enquanto isso, minha irmã fritava bolinhos de arroz, de camisetão e toalha na cabeça. Alguma atmosfera inconcebivelmente feliz e desnorteada tomava conta da cozinha. Ríamos como hienas apavoradas e extravagantes.

Minhas unhas seguem descascando com os dias  (acho terrível, quando olho), mas algo em mim, tá descascado também. E faz tempo. De qualquer forma, saborear halls no banho, parece salvar-me da decadência. Alegrias travestidas de insensatez.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Pra fora

Escrevo qualquer palavra
Sentimentos cheios de qualquer coisa.
Olhos confusos me olham pela janela.

Sufoco-me na fumaça do cigarro, e tusso como se pudesse expelir qualquer saliva que expelisse qualquer coisa de dentro que precisasse ser expelida sem que eu soubesse que coisa é essa - que me sufoca que me ferve e que me faz querer digitar rápido pra então ir à janela, cuspir.

Não é exatamente ruim a sensação.
É libertador escarrar ânsias

Deixo-me envolver por ritmos aceleradamente calmos
Fecho os olhos confusos, e trago outro
Descubro que o místico desse tufo líquido está entre a garganta e a ponta da língua.
Engulo o fumo espesso com rijeza
Macio liame!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sorriso só(lido)

(Para ser lido ouvindo “Shine on you crazy diamond (part I-V)” – Pink Floyd, a partir dos 4min e 29seg)

           O céu nublado, misturado com a cafeína que me ferve por dentro: quero saltitar, como um antílope despreocupado com seus predadores.
Sequenciada por uma dose qualquer de loucura, preciso correr até que minhas pernas fiquem pelo caminho, e meu corpo levite - delicado sobre o ar - rápido, veloz, diagonal, sangrento. Até que a última gota aliviada de sangue caia, e em torno de si formem-se gotículas cada vez menores, coloridas de menos vinho, e mais vermelho.
          De noite, tenho planejado – confesso – sair dançando sob os postes de luz queimados.
                                                           
                                                                Expandirei.

         No infinito vesperal, miro astros que confirmem minha solidão – não mais desesperada ou conformada, mas repleta de ventura -, e sorrio baixo, e sorrio quase triste, e sorrio repleta de céu. Enquanto isso, o espaço me carrega para qualquer dimensão de raios purpurados e ventos brancos, brancos.

Invólucro (in)solúvel

Talvez sejam erros mesmo, palavras.
Medo de colocá-las equivocadamente...
Medo de aproximar de ti, és tão sistematicamente embalada nalguma cápsula
Vontade de dissolver-te

Misturo o alfabeto
Misturando-me.
Acerto enfim, as palavras.
Elas me subvertem.

Ditas em excesso,
confusão: a sonoridade me transporta pra qualquer lugar derretido.

A cápsula começa a perder a tinta, mas não a rigidez
(Palavras em excesso, confundem-me)
Abraço pessoas com naturalidade
Entretanto, alguma névoa repulsa te contorna, e não permite meu contato completo
Névoa inferida por mim, ou projetada por ti

As palavras perdem também a tinta, mas essas ficam transparentes - já não posso defini-las.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Propensa

Na curva do meu ombro não há ninguém descansando.
Forçado encontro
Comigo

Atravesso dias como quem desvia de uma poça e pisa noutra.
Desvio
Deparo
Camuflo-me como quem desvia de uma poça e pisa noutra.
(forçado encontro)

Desenvolvo diálogos, na pretensão de afastar-me.
Percebo-me, então
Seduzida por minhas próprias palavras diminutas
E pela – proposital - falta de pontuação.

Mas.
À noite,
A camuflagem não me satisfaz.
Não encontro poças para evitar
Nem diálogos convincentes.

Mergulho, então, nua
Revelada
Sem forças para fugas
Lentamente, intensos vínculos diluem minha solidez.