terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

I said, "Just take it or leave it
And take it or leave it
And take it or leave it
And take it or leave it
Oh, just take it or leave it
And take it or leave it
Oh, take it"



(Take it or leave it - Strokes)

domingo, 31 de janeiro de 2010

Oxigênio em contagotas

          Tenho procurado me libertar. Não que eu faça muita ideia do que realmente prende. Entretanto, algo lateja forte e compulsivamente como se um elástico prendesse meu tornozelo e fizesse com que eu não conseguisse avançar sem retornar. Meu peito tem tido sedes insaciáveis, angústias contidas e palavras repetidas. Mudo-me de cidade, de amores, de vícios, de braços, e minhas mãos continuam as mesmas –  incorpóreas e inquietas. Isolo-me lá e acá, pra tentar despejar as bolhas-pesadas-cor-de-vinho das incertezas. Percebo: meu quente coração não esvai. Estou pedindo, me deixem. Não me procurem, preciso parar de dançar com as mãos dadas em rodas e rodadas de contentamento. Aperto em brisa e tormenta, sim, eu sei que é passageiro e, quem sabe, necessário. Um dia desses, tomo consciência da palavra ser.
          Escolhas repentinas, fracassos repentinos. Lágrimas tremidas, ofegantes, doloridas escorrem pelo dorso, em busca de aconchego. Arrepiam-me, em cada centímetro das queimaduras propositais, das cicatrizes que doem em dias e olhos igualmente úmidos.
         Desculpa, não vivo sem reclusões. Pra mim também não é fácil, não te contar inúmeras aventuras e situações que tenho vivido, e não ter paciência pra te ouvir também. Desculpa, arrebenta os elásticos. Desculpa de reclusão, hermética em mim e nada mais.  

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Acorde sangrando

E o dia amanhece
demoro a acordar.

Rua, continuamente perambulada, sem me oferecer
nada
que diga porque raios eu continuo
aqui, nada
me satisfaz que me acorde
que me suplique
olhos abertos, peito aberto
mente
um turbilhão esticou um fio
nylon transparente, aparentemente - nada

Corta-me, corta-me
sem notar, caminhando
acordo esbarrando, e caio
no nada do parquê do meu quarto

Corda invisível traiçoeira
no chão: eu
Ela, ainda esticada
retirando, roubando-me sangue
equilíbrio entre pedaços de madeira
furtada de mim.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

brisa ausente, preferível

Tentando superar.
concessões por cima.
eu: por baixo, gozando dispensas.

Concessões dispersas
satisfações enganadoras
no depois.

E a dor? Essa, ficou no meio de portas mal fechadas, de noites bem dormidas, e de braços procurados no meio da noite. Ela me segura até o ponto em que a criança fecha os olhos num balanço.
depois,
adrenalina, ansiedade, e
monotonia.

Dispenso-te, saia de meus sonhos inebriantes, escuros e maldigeridos. Os campos, as orquídeas e os irish coffees, precisam ser superados. Calma, eu não falei em nenhum momento, em esquecê-los. Aconteceram, é verdade. Nem parece. Mas veja, não posso mais prender-me em ti. Razões não nos faltaram para o dramático fim. Ou para o sem fim. Entretanto, enxerguemos essa neblina que nos cobre e, essa, não parece mais querer atormentar, e sim, aconchegar. Vamos, pequena, balancemos nossos balanços de olhos bem abertos, corações palpitantes que discernem o vento do embalo, mas também têm a convicção dos pés no chão no parar do balanço.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

"Por veredas de sueño y habitaciones sordas
tus rendidos veranos me acechan con sus cantos.
Una cifra vigilante y sigilosa
va por los arrabales llamándome y llamándome
pero qué falta, dime, en la tarjeta diminuta

Dónde están tu nombre y tu calle y tu desvelo
si la cifra se mezcla con las letras del sueño
si solamente estás donde ya no te busco.
Me diste el frío, la distancia,
el amargo café de medianoche
entre mesas vacías."

Trecho de "Objetos Perdidos" - J. Cortázar

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Digestão prolongando-nos

          Quero dizer-te alguma coisa, mas não sei bem o que. Estou feliz, não sei bem por quê. Transmitir-te-ia essa felicidade, caso conseguisse expressar melhor, entretanto nem sei como. Uma nuvem passou lentamente por cima de mim, há pouco. Como se me abençoasse por algum motivo que não distingo.
          Foi ótimo tomar chuva contigo pelo centro, entrar em lojas, e sentir a amizade que rodeia por toda nossa volta, abençoa-nos há tanto tempo, sem sabermos a razão. Nossos banhos demorados, juntas, depilando-nos, rindo, dançando, sem intenções a não ser a de ficarmos assim – juntas -, por muito tempo. Intimidade que nos faz sorrir, gargalhar e jogar-nos uma sobre a outra, sem motivos, com mil motivos, com saudade, sem distância. Nossos defeitos e limitações são desconsideradas, pra que possamos abraçar-nos novamente, e grunhirmos uma o nome da outra, felizes, corações palpitantes, e certos da amizade que mastigamos, sem querer engolir.          
          Amo-te apesar da distância, da falta de comunicação, das novidades que não compartilhamos e também apesar da tua partida, que se dará daqui um pouco. Alguma nuvem vai te engolir, suavemente, e essa, também me engolirá. Digestão aprazível: nós.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Samba Pingado

Naquela noite o samba rolou
Nossos pés rolavam, escorregavam e se encontravam
Alucinadas,
Gritos de quem samba.
Suadas, cantávamos com os braços pra cima
Pra frente, pro lado, e com as mãos dadas acima da cabeça, girávamos
Naquela noite o samba nos pegou

Mas tinha outro sambista, era teu caso
Insististe, sambei com ele
Foi quando confessaste o ciúme
Sentimos que aquele samba era para nós, e para mais ninguém
Pingamos no ritmo dos pandeiros e dos bumbos

No sol que já iluminava, o samba não parou
Cansadas e satisfeitas
Pedíamos cigarro pra qualquer um
Dormimos suadas do samba que nos pegou
Lavamo-nos sem xampu que lavasse, que levasse o que o samba nos deixou.